Comédia inspirada em Lima Barreto marca os 60 anos de carreira do ator Homero Cavalcante
Montagem da Magote Teatral circula por Maceió e Arapiraca pelo projeto Sesc em Cena, reunindo veterano a uma nova geração de artistas.

O veterano Homero Cavalcante, aos 77 anos e com seis décadas dedicadas às artes cênicas, retorna aos palcos com a comédia “Você Fala Javanês?”. A montagem, realizada pela Associação de Teatro e Cultura Magote Teatral, integra a programação do projeto Sesc em Cena e tem circulação gratuita garantida em Maceió e Arapiraca.
Na capital alagoana, as apresentações ocorrem nos dias 9 e 10 de setembro, às 19h30, no Centro Cultural Arte Pajuçara, localizado na Galeria Artcenter Pajuçara. Posteriormente, o espetáculo segue para Arapiraca nos dias 29 e 30 do mesmo mês, também às 19h30, no Teatro Hermeto Pascoal, situado no Sesc Arapiraca. O acesso do público é gratuito mediante a retirada de senhas uma hora antes de cada sessão. Com duração aproximada de uma hora, a peça possui classificação indicativa de 12 anos.
A dramaturgia tem como ponto de partida o conto “O Homem que Sabia Javanês”, publicado por Lima Barreto em 1911. Na trama original, o personagem Castelo alcança ascensão social ao fingir domínio sobre um idioma que desconhece. A versão alagoana preserva essa sátira, colocando em evidência as fronteiras entre aparência, prestígio e conhecimento. O enredo é impulsionado por uma carta enviada de Java ao Barão de Jacuecanga redigida em uma língua incompreensível para todos ao redor, momento em que o protagonista enxerga a chance de se passar por tradutor e desencadeia uma série de situações cômicas baseadas na impostura.
O espetáculo conta com texto assinado por Leda Almeida Guerra e direção dividida entre Raphael Vianna e o próprio Homero Cavalcante. Em cena, o ator de 77 anos contracena com João Victor Regis e Mitchel Leonardo, formando um elenco que une diferentes gerações da história recente do teatro alagoano. Para Homero, a convivência com os colegas mais jovens durante os ensaios proporciona trocas diárias de nuances e malícias artísticas, reforçando a vitalidade da profissão.
A trajetória do ator começou na infância, quando residia próximo ao Teatro Deodoro, no Centro de Maceió, marcando sua memória após assistir a uma apresentação de marionetes da Companhia Internacional de Marionetes Rosana Picchi e, posteriormente, a um espetáculo de bonecos na Feira do Passarinho. Ao longo das décadas, atuou, dirigiu, escreveu, formou novos artistas e ajudou a estruturar o setor cultural no estado, cofundando a Associação Teatral de Alagoas ao lado de Linda Mascarenhas e lecionando na Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Sua contribuição foi eternizada ao batizar o Theatro Homerinho, em Jaraguá, palco que abrigou sessões da peça em abril.
Apesar da vasta experiência, o ator relata que o “frio na barriga” e a tensão antes de subir ao palco permanecem inalterados, comparando o sentimento a uma guilhotina suspensa. Para ele, a maturidade traz a percepção de que muitos aspectos poderiam ter sido conduzidos com mais precisão, mas reafirma o compromisso inabalável com a profissão. O espetáculo viabilizado pelo Sesc Alagoas reforça a circulação de produções locais e amplia o acesso democrático do público à cultura por meio de uma narrativa guiada essencialmente pela paixão pela arte dramática.
Fonte: gazetadealagoas.com.br / https://www.gazetadealagoas.com.br/
