Novo espaço cultural em São Luís preserva e expõe o legado do teatro de animação maranhense
Inaugurado no bairro Cohajap, o Museu Beto Bittencourt abriga cerca de 300 peças, biblioteca com três mil títulos e projetos voltados à difusão de técnicas artesanais.

Foi inaugurado na sexta-feira (4), no bairro Cohajap, em São Luís, o Museu Beto Bittencourt. O novo espaço cultural tem como propósito preservar a memória do teatro de animação e da cultura popular no Maranhão, reunindo um acervo de aproximadamente 300 bonecos.
A coleção é composta por peças criadas por Humberto Henrique Bittencourt, amplamente conhecido como Beto Bonequeiro, além de trabalhos desenvolvidos por integrantes da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt (SACBB). Dse total, 32 bonecos passaram por restauração por meio de um projeto financiado com apoio da Fundação de Ampato à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
O projeto responsável pela estruturação do local intitula-se “Viva! Teatro de Bonecos e Biblioteca Mário Meirelles: cultura, leitura e identidade para transformar”. A iniciativa foi idealizada pela pesquisadora Joana Bittencourt, irmã de Beto, e viabilizada por recursos do edital de Apoio a Acervos Museológicos, Históricos e Culturais do Maranhão, lançado pela Fapema em novembro de 2025 — edital que contemplou 11 propostas com foco na conservação, organização e informatização de acervos imateriais, museológicos e documentais no estado.
Além da exposição permanente de bonecos, o museu incorpora a Biblioteca Mário Meireles, que conta com cerca de 3.000 títulos em seu acervo. A programação planejada para o espaço também contempla oficinas de confecção de bonecos, com o objetivo de ampliar o acesso público às técnicas e aos processos criativos inerentes ao teatro de animação.
A solenidade de abertura reuniu artistas, pesquisadores, produtores e representantes do setor cultural maranhense. O presidente da Fapema, Nordman Wall, compareceu ao evento e participou do descerramento da placa inaugural. Para a idealizadora Joana Bittencourt, a consolidação do espaço como museu garante a preservação do legado deixado por seu irmão, a quem definiu como pioneiro da modalidade artística no estado.
A atriz, professora e pesquisadora Gisele Vasconcelos pontuou a relevância do memorial para aproximar as novas gerações da história cultural maranhense e dos criadores que a fundamentaram.
A cerimônia de inauguração foi acompanhada por uma programação artística diversificada. O público assistiu a números de teatro de bonecos, apresentações de mamulengo e performances musicais. As atividades artísticas iniciaram com o número do Arauto, conduzido pelo diretor artístico do museu, Tony Costa. A abertura contou ainda com as presenças do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, além de exibições do Boneco Palhaço, da Flor do Mamulengo e de trechos da montagem “Cabra Marcado pra Morrer”.
Natural de Pinheiro, Humberto Henrique Bittencourt faleceu em 15 de agosto de 1999, aos 36 anos. Reconhecido como referência na manipulação e confecção de bonecos, Beto Bittencourt marcou a história do teatro de animação maranhense por meio de sua contribuição para a difusão dessa vertente artística no estado.
Fonte: g1.globo.com / G1
