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Grupo de teatro de Condeixa-a-Nova supera perda de palco e estreia releitura de Gil Vicente

Com lotação esgotada, "Auto da Eterna Barca" será apresentado ao ar livre no Páteo do Museu PO.RO.S após tempestade interditar cine-teatro local

A Oficina de Teatro de Condeixa (OTC) estreia neste sábado, às 21h30, no Páteo do Museu PO.RO.S, a peça “Auto da Eterna Barca”. O espetáculo, que consiste em uma abordagem contemporânea do clássico “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, marca o reencontro do grupo amador com o público após ter seu palco habitual interditado devido aos estragos causados por uma tempestade. Os 350 bilhetes disponíveis para a apresentação já estão esgotados.

A produção propõe uma reflexão sobre a atualidade da obra vicentina, estreada originalmente em 1517. Sob a encenação de Diana Lima, que também preside a OTC, o grupo buscou imaginar uma visita do dramaturgo ao mundo contemporâneo para questionar quais aspectos da sociedade atual seriam alvos de sua sátira.

Durante o processo de criação, os integrantes do grupo analisaram a permanência de figuras do universo de Gil Vicente. Enquanto personagens como o Fidalgo são vistos como atuais, a relevância de outros, como o Sapateiro, o Judeu, a alcoviteira Brízidas Vaz e o Enforcado, foi reavaliada sob a ótica dos dias de hoje. “Se pensam que há um céu e um inferno… estão a simplificar demais!”, alerta o grupo.

**Superação de imprevistos e mudança de cenário**

A trajetória até a estreia foi marcada por desafios estruturais. Originalmente, a peça seria apresentada no Festival Deniz Jacinto, tradicionalmente realizado em fevereiro. Contudo, a passagem da tempestade Kristin destelhou o Cine-Teatro de Condeixa — espaço pertencente aos Bombeiros Voluntários que servia de sede para a OTC —, forçando o cancelamento do festival.

“Ficámos sem Cine-Teatro”, relata Diana Lemos. A perda do espaço exigiu que o grupo adaptasse para um ambiente ao ar livre um espetáculo que havia sido inteiramente planejado para um palco convencional, com bastidores e dinâmica de entradas e saídas de atores. A viabilização do evento ocorreu por meio de uma parceria com o Município de Condeixa-a-Nova, que cedeu o Páteo do Museu PO.RO.S para a apresentação.

**Histórico e homenagem**

Fundada originalmente como uma secção do Orfeon Dr. João Antunes, a OTC conquistou sua autonomia em 2017. A escolha por trabalhar a obra de Gil Vicente, realizada após um ciclo dedicado ao dramaturgo Bertolt Brecht, configura também uma homenagem a Deniz Jacinto, teatrólogo, ator e encenador natural de Condeixa que se destacou como um dos grandes impulsionadores do estudo de Gil Vicente.

De acordo com a direção da OTC, não há previsão de uma segunda apresentação imediata do espetáculo, cuja nova exibição poderá ocorrer apenas em fevereiro, na próxima edição do Festival de Teatro Deniz Jacinto.


Fonte: diariocoimbra.pt / Diário de Coimbra: O seu jornal de notícias de Coimbra

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