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Ópera Aberta encerra temporada de ‘Il Combattimento di Tancredi e Clorinda’ no Museu Nacional de Belas Artes

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Montagem da obra de Claudio Monteverdi transforma as galerias do MNBA em espaço cênico e aproxima o público de músicos, bailarinos e esculturas contemporâneas; última apresentação acontece neste sábado, 26 de setembro, com entrada gratuita

Foto: Vicente de Mello / Divulgação

Um duelo trágico concebido por Claudio Monteverdi no século XVII ganha novos contornos entre obras de arte e esculturas contemporâneas no Museu Nacional de Belas Artes, no Centro do Rio de Janeiro. Neste sábado, 26 de setembro, às 19h, o espaço recebe a última apresentação de Il Combattimento di Tancredi e Clorinda, montagem que marca a estreia do projeto Ópera Aberta.

A produção ocupa as Grandes Galerias do museu e rompe com a disposição convencional entre palco e plateia. O público permanece próximo da orquestra barroca, do tenor Guilherme — @guil.musica — e dos bailarinos Glayson Mendes e Tiago Otononi, acompanhando a ação cênica praticamente no mesmo espaço dos intérpretes.

A experiência já reuniu frequentadores habituais do Museu Nacional de Belas Artes e espectadores que tiveram, com a montagem, seu primeiro contato presencial com uma ópera. A proximidade dos artistas e músicos é uma das características centrais do projeto, que procura ampliar o acesso ao repertório lírico e apresentar a obra de Monteverdi por meio de uma linguagem contemporânea e imersiva.

Com apoio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e realização do Museu Nacional de Belas Artes, a montagem estabelece um encontro entre música, teatro, dança, patrimônio histórico e artes visuais.

Monteverdi entre esculturas contemporâneas

A encenação acontece em diálogo com esculturas da artista Siwaju Lima, produzidas a partir do reaproveitamento de metais descartados. Perfis industriais são reorganizados em estruturas concêntricas e perpendiculares que exploram relações de peso, equilíbrio e tensão.

As peças trabalham justamente com a impressão de que forças contrárias coexistem dentro de uma mesma estrutura: resistência e fragilidade, ameaça e vulnerabilidade, estabilidade e possibilidade de colapso.

Essa tensão encontra correspondência na própria dramaturgia musical de Il Combattimento di Tancredi e Clorinda, construída em torno do confronto fatal entre os dois personagens.

Na obra de Monteverdi, Tancredi enfrenta em combate uma guerreira cuja identidade desconhece. Apenas depois de feri-la mortalmente percebe que se trata de Clorinda. O episódio, inspirado no poema épico Gerusalemme Liberata, de Torquato Tasso, permitiu ao compositor desenvolver uma escrita musical marcada pela intensidade dramática e pela representação sonora do conflito.

Dentro do MNBA, a batalha passa a existir também na relação entre corpos, arquitetura, música e matéria escultórica.

Figurino aproxima Renascimento e referências contemporâneas

O diálogo entre épocas também orienta os figurinos criados pela figurinista e professora da UFRJ Desirée Bastos.

A proposta articula referências da indumentária renascentista com elementos visuais associados ao universo esportivo, aproximando a narrativa histórica de uma linguagem recorrente na produção artística contemporânea.

O processo de criação também incorporou características das esculturas de Siwaju Lima. Cores, formas, texturas e a materialidade dos metais foram transpostas para o figurino, estabelecendo uma continuidade visual entre as obras expostas, os intérpretes e o espaço arquitetônico do museu.

O resultado é uma montagem na qual os diferentes elementos não funcionam apenas como ambientação da ópera, mas integram a construção dramatúrgica da experiência.

A apresentação deste sábado encerra a primeira temporada do projeto Ópera Aberta, que realizou sessões nos dias 19 e 26 de setembro.

Serviço

Il Combattimento di Tancredi e Clorinda, de Claudio Monteverdi
Última apresentação: 26 de setembro de 2026, sábado, às 19h
Local: Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199 – Centro – Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Distribuição: a partir das 18h30, no acesso principal do museu
Duração: 40 minutos
Classificação: 12 anos
Informações: @operaaberta

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