Laboratório de crítica teatral explora novas formas de recepção e escrita durante festival em Santos
Iniciativa integrou ações formativas do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, reunindo profissionais e estudantes em duplas de mentoria.

Realizado entre os dias 3 e 12 de setembro, o LAB Crítica: práticas de crítica teatral integrou a programação de ações formativas do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas. A iniciativa teve como eixo central aproximar profissionais da área e estudantes universitários em uma experiência de fruição, recepção, reflexão e escrita sobre espetáculos, performances e ações que ocuparam diversos espaços da cidade de Santos.
A proposta fundamentou-se no conceito de práticas e artes de fazer do historiador francês Michel de Certeau (1925-1986), compreendendo a crítica como uma operação poética em diálogo e ruptura com as linguagens tradicionais do gênero. A curadoria das ações formativas foi assinada por Rose Silveira, assessora sociocultural da Gerência de Estudos e Desenvolvimentos do Sesc São Paulo (Gedes).
Para o desenvolvimento das atividades, o laboratório estruturou-se em formato de mentoria por meio de duplas formadas por críticos experientes e estudantes selecionados de cursos como artes cênicas, cinema e comunicação social. Os profissionais convidados foram Bruno Fracchia (SP), Gabriela Mellão (SP), Guilherme Diniz (MG) e Pollyanna Diniz (PE). Eles trabalharam, respectivamente, com os estudantes Miguel Sicurela, Giovana Oliveira, Emily Lima e Davi Alves (ou Davi O. Alves).
Seguindo roteiros pré-estabelecidos pela produção do festival, as duplas percorreram diferentes pontos da programação e puderam propor acréscimos e subtrações por meio de acordos mútuos. A dinâmica funcionou de maneira lúdica, assemelhando-se a um jogo com regras planejadas para serem cumpridas e quebradas, ecoando as táticas de reapropriação e transformação descritas por Michel de Certeau.
A logística organizada pela produção permitiu que os participantes conciliassem os deslocamentos pelos espaços culturais santistas com momentos cotidianos de pausas e trocas de ideias ao longo do dia. O resultado dessa vivência coletiva e criativa gerou um conjunto de textos que documenta o festival a partir de múltiplas perspectivas, evidenciando o papel ativo do espectador na recepção artística.
Fonte: sescsp.org.br / Sesc São Paulo
